
Nesta terça-feira (29), o Brasil faz mais um amistoso internacional na Data Fifa e volta a enfrentar a Austrália, às 7h (de Brasília), no Suncorp Stadium, em Brisbane.
Antes da partida, a ESPN entrevistou o gerente geral de Seleções masculinas da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Cícero Souza, que falou dos planos da entidade para o futuro próximo (e distante) da equipe canarinho.
Em termos mais palpáveis, a Confederação já trabalha um planejamento intenso para os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028, torneio no qual a Seleção Brasileira vai buscar a 3ª medalha de ouro da história.
De acordo com Cícero, a CBF deu um recado claro da importância que dá ao torneio ao contratar os técnicos Paulo Victor Gomes e Lucas Andrade, ambos com passagens multicampeãs pelo Palmeiras nos últimos anos, para comandar o Brasil sub-20 no ciclo.
O diretor também destacou o papel do ex-lateral Branco, coordenador de base da Confederação, nas constantes visitas aos clubes, fazendo trocas de avaliações e monitoramentos de nomes que possam servir o time verde e amarelo.
A grande dificuldade, segundo Souza, é conseguir a liberação de atletas fora de Data Fifa. Ainda mais porque o Torneio Pré-Olímpico, que definirá os classificados para Los Angeles-2028, sequer tem data marcada.
"Você nunca tem garantia nenhuma de resultado no futebol, mas, se fizer tudo bem feito, você se aproxima dele. Quanto à próxima Olimpíada... Quando trouxemos o Paulo Victor (Gomes) e o Lucas Andrade, a gente já dá um recado muito forte da maneira como a gente está pensando a Seleção Olímpica e a Seleção sub-20", explicou.
"Ao contrário do que se fez historicamente dentro da CBF, trouxemos um treinador e auxiliar técnico. E o projeto olímpico é muito robusto", assegurou.
"Terminada a Data Fifa agora que estamos vivendo, a Seleção principal aqui na Austrália e Seleção sub-20 lá na Espanha, aonde estamos jogando contra Dinamarca, Estados Unidos e México, nós vamos, através do Paulo Victor e do Lucas Andrade e do nosso coordenador de base, o Branco, visitar muitos clubes, visitar muitos jogadores, trocar avaliações técnicas com os clubes e dar o recado aos atletas: 'Vocês estão sendo observados, monitorados dentro desses pilares, dentro dessas ideias, dentro dessas características por posição e temos um compromisso muito grande em levarmos uma seleção forte ao Pré-Olímpico'", relatou.
"Isso é também uma dificuldade que a gente tem, porque não sabemos a data ainda do Pré-Olímpico, mas a gente já começou um processo de aproximação com os clubes na tentativa de liberação dos jogadores e depois, sim, para constituição da Seleção Olímpica, caso a gente consiga a classificação que a gente quer atingir", complementou.
Cícero ainda revelou que um dos grandes projetos da CBF, esse sem prazo tão certo, é encontrar novos "camisas 10" para as Seleções de base e principal.
De acordo com o coordenador, o futebol moderno "compactou demais" o meio-campo e fez sumir os jogadores "cerebrais", que, durante muito tempo, fora dominantes no futebol brasileiro.
O objetivo, segundo Souza, é encontrar maneiras de revelar e desenvolver "novos 10", contando também com a ajuda de Carlo Ancelotti, treinador do Brasil, no processo.
"Eu tenho a tese que tudo no mundo mundo se transforma, mas não necessariamente evolui... As transformações do futebol moderno, que compactaram demais a região do meio-campo, fizeram com que esse se tornasse o lugar mais difícil de se jogar e, talvez erroneamente, se exigindo uma intensidade muito grande de jogadores que precisam ser cerebrais", apontou.
"Nem no Brasil, nem no mundo, a gente tem hoje a posição do ponta-de-lança, do número 10 sendo tão expoente. Os principais jogadores, os melhores jogadores do mundo nos últimos anos, eles têm saído de fora para dentro, né? Sejam brasileiros ou não", citou.
"Mas a gente entende que, ainda assim, quem gera dúvida por dentro, coloca muito mais dificuldade para o adversário para ele saber qual é a rota de ataque que você vai escolher. Quem tem a capacidade de ser inventivo lá dentro está muito mais próximo do gol e consegue achar caminho para os dois lados", ressaltou.
"Então, a gente acredita que precisa, sim, resgatar um pouco da ideia e da imagem desse 'camisa 10'. O Ancelotti também tem participado disso. Ele deu um recado em três instruções aos nossos treinadores", contou.
"São só três instruções: identifiquem meio-campistas, convoquem-os e desenvolvam-os, porque entendemos que, muito do resgate necessário, de ideia, de cultura, passa sim pela nossa capacidade de qualidade no meio de campo", finalizou.
*Entrevista realizada por Tomer Savoia