
Após chegar a um acordo com a Caixa Econômica Federal para suspender o pagamento de cerca de R$ 28 milhões previstos para outubro referentes à 3ª trimestral de 2026 do financiamento para construção da Neo Química Arena enquanto negocia os naming rights do estádio, o Corinthians planeja se reunir na próxima semana com diretores do órgão para tentar ter acesso a uma quantia de R$ 27 milhões de uma conta secundária. A informação foi apurada pela ESPN.
O atual contrato de financiamento prevê que o banco possa assumir 50% dos valores de premiações e outros recursos do clube para a composição de um “colchão” acionado em caso de inadimplência de parcelas do acordo. A liberação acontece justamente pelo fato de que o clube tem honrado os pagamentos ao banco, sendo que cerca de R$ 56 milhões já foram pagos apenas neste ano.
O acordo entre Corinthians e Caixa Econômica Federal acontece em meio às negociações pela quitação do financiamento do estádio em Itaquera.
Segundo apurou a ESPN com fontes envolvidas na negociação, dirigentes do clube estiveram em Brasília durante esta semana para reuniões com representantes do banco.
No centro da conversa estavam propostas para a resolução da dívida de R$ 642 milhões que o clube tem com a instituição financeira em relação ao financiamento para a construção do estádio em Itaquera.
O avanço nas conversas tem animado dirigentes. Ainda assim, o tema é tratado com cautela nos bastidores por conta de frustrações geradas no passado, quando negociações com a Caixa foram alvo de críticas por possível uso político às vésperas de eleições presidenciais no Parque São Jorge.
As conversas são lideradas no Corinthians pelo presidente Osmar Stabile.
A ESPN apurou que Corinthians e Caixa conversam por várias possibilidades para destravar o pagamento da Neo Quimica Arena.
Além uma possível mudança nos termos do financiamento, há também um estudo para que o banco assuma os naming rights do estádio em Itaquera no lugar da Hypera Pharma.
A avaliação do clube após processo conhecido como 'valuation' é de que a arena “entrega” R$ 298 milhões em mídia por ano (com base na temporada 2025), muito acima dos valores acertados em 2020.
A ESPN apurou, no entanto, que as conversas não englobam os estudos levados ao clube pelo perito criminal Anísio Costa Castelo Branco, que levou o Ministério Público de São Paulo a abrir um procedimento investigatório para apurar um possível erro no pagamento feito clube ao banco.
O entendimento nos bastidores é de que o estudo se baseou em termos desatualizados e com abrangência limitada em relação ao contratual atual.
Nos bastidores, fontes ouvidas pela reportagem admitem que um acordo que encaminhasse a quitação do estádio mudaria o cenário de colapso financeiro do clube, que seguem com dois meses de direitos de imagem em aberto com o elenco masculino, além de outros pagamentos em premiações e férias.
O clube acertou os vencimentos referentes os valores previstos em carteira de trabalho horas antes da eliminação na CONMEBOL Libertadores para o Estudiantes (ARG), na última quarta-feira (16), também com atraso.
Segundo balancete financeiro de julho de 2026, o clube registrou um déficit de R$ 278,7 milhões, valor quase 260% acima dos R$ 77,8 milhões previstos no orçamento aprovado para a temporada.
O endividamento total do clube, por sua vez, se mantém na casa dos R$ 2,86 bilhões.
Grande parte desse impacto aconteceu pela ausência de vendas de jogadores na temporada.
O orçamento aprovado para 2026 previa faturar o montante líquido (aquele que de fato chega aos cofres do clube) de 25 milhões de euros (algo em torno de R$ 144 milhões) em vendas de direitos federativos de atletas. Metade disso, 12,5 milhões de euros (cerca de R$ 74,9 milhões), deveria ter sido realizado no primeiro semestre.
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