Quinta, 01 de Outubro de 2026
Publicidade

Justiça dá 15 dias ao São Paulo para constestar processo movido por Casares

A Justiça deu prazo de 15 dias ao São Paulo para se defender no processo movido pelo ex-presidente Julio Casares contra o clube,

01/10/2026 às 09h21
Por: Redação Fonte: Diego Garcia e Francisco De Laurentiis
Compartilhe:
Julio Casares comemora a conquista da Supercopa do Brasil pelo São Paulo Gledston Tavares/Eurasia Sport Images/Getty Images
Julio Casares comemora a conquista da Supercopa do Brasil pelo São Paulo Gledston Tavares/Eurasia Sport Images/Getty Images

A Justiça deu prazo de 15 dias ao São Paulo para se defender no processo movido pelo ex-presidente Julio Casares contra o clube, revelado em primeira mão pela ESPN na última terça-feira (29).

Continua após a publicidade
https://garranoesporte.com.br/noticia/665/neymar-e-relacionado-no-santos-para-classico-contra-o-corinthians-pelo-brasileirao

Em decisão publicada na última quarta-feira (30), o juiz Valdir da Silva Queiroz Jr., da 9ª Vara Cível do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo), ordenou que o Tricolor seja citado para responder a ação ingressada pelo ex-dirigente.

Continua após a publicidade
https://garranoesporte.com.br/noticia/663/apos-acertar-com-allan-city-negocia-contratacao-de-atacante-do-liverpool

O magistrado ainda dispensou audiência de conciliação, sob o fundamento de que não há estrutura material para sua realização e de que o processo deve observar o princípio da duração razoável.

Continua após a publicidade
https://garranoesporte.com.br/noticia/664/tecnico-do-tottenham-diz-que-richarlison-pediu-para-deixar-clube

No entanto, o juiz ressaltou que nada impede que as partes tentem um acordo extrajudicialmente ou solicitem posteriormente uma audiência caso surja possibilidade concreta de conciliação.

Agora, a Justiça aguarda a contestação do São Paulo para dar andamento ao caso.

O processo de Casares

Ex-presidente do São Paulo, Julio Casares entrou na última segunda-feira (28) com uma ação contra o clube na Justiça para tentar reverter a acusação de "gestão temerária" e, consequentemente, anular sua expulsão do quadro associativo, ocorrida no dia 10 de setembro por ordem do Conselho Deliberativo tricolor.

Na petição, à qual a ESPN teve acesso, o ex-dirigente quer que o poder judiciário reconheça que sua gestão foi "regular, de boa-fé e aprovada pelos órgãos competentes", sustentando que "não houve gestão temerária, apropriação de recursos ou desvio de finalidade" e que as acusações contra ele "surgiram em um contexto de disputa política interna" no Morumbis.

Os advogados de Casares destacaram a eleição presidencial de 2020 e a reeleição de 2023, ressaltando a conquista de "títulos inéditos" pelo ex-mandatário, como a Copa do Brasil de 2023 e a Supercopa do Brasil de 2024. O documento também cita os troféus do Paulistão de 2021 e da Copinha de 2025, além do vice da CONMEBOL Sul-Americana de 2022.

De acordo com sua defesa, o ex-presidente trouxe "avanços comerciais e financeiros" ao São Paulo, como o acordo de naming rights do Morumbi (que se transformou em "MorumBIS"), além de "novos contratos de patrocínio" e da "reestruturação financeira" do clube.

A tese central da ação é de que Casares atuou sempre de "boa-fé" e "apoiado por profissionais especializados das áreas financeira, contábil, jurídica e de compliance". Segundo a petição, "eventuais decisões técnicas e classificações contábeis eram responsabilidade desses departamentos", e "não exclusivamente do presidente".

O ex-dirigente salienta que o Tricolor tinha, na sua gestão, "mecanismos de governança e compliance", com "auditoria independente". Ele ainda salienta que o Conselho Fiscal e Conselho de Administração da equipe acompanhavam suas contas, assegurando que "não houve dolo nem culpa grave por parte do autor".

A petição ainda enfatiza que as contas dos exercícios de 2021, 2022, 2023 e 2024 foram "aprovadas pelos órgãos estatutários do clube", acompanhadas inclusive "de pareceres favoráveis da auditoria independente, do Conselho Fiscal e do Conselho de Administração".

Segundo os advogados de Casares, essa aprovação "gerou o chamado quitus", ou seja, a "quitação e exoneração de responsabilidade sobre os atos de gestão daqueles exercícios".

Quanto às contas de 2025, que foram reprovadas pelo Conselho Deliberativo do São Paulo, a defesa de Casares diz que elas foram aprovadas pelos Conselhos Fiscal e de Administração, com a auditoria independente apenas apontando "ressalvas" e "pedidos de esclarecimentos".

O ex-presidente lembra que o clube tricolor "apresentou superávit de R$ 56 milhões" no exercício, com "redução da dívida em R$ 110 milhões".

Por todos esses argumentos, a petição sustenta que a reprovação das contas de 2025 teve "motivação essencialmente política", e não "técnica".

Os saques em dinheiro vivo

No documento, Casares também aborda a polêmica dos quase R$ 11 milhões sacados em dinheiro vivo entre 2021 e 2025.

De acordo com o ex-presidente, esse valor "representa uma parcela muito pequena do volume financeiro movimentado pelo clube". Ele também alegou que os recursos seriam "destinados a premiações", os chamados "bichos", além de "serviços operacionais e despesas promocionais".

Segundo a defesa, a prática de pagar o famoso "bicho molhado" já "existia em gestões anteriores" e "continuaria ocorrendo após sua saída". Um trecho da petição, inclusive, cita fala do atual executivo de futebol do São Paulo, Rafinha, para apoiar essa tese.

"A permanência do denominado 'bicho molhado' na própria gestão atual do SPFC confirma, de maneira particularmente contundente, que o pagamento de premiações em espécie não era uma anomalia atribuível ao autor, mas verdadeiro costume do futebol", diz o documento.

"Conforme amplamente noticiado, a atual gestão presidida pelo Sr. Harry Massis igualmente adotou o mesmo procedimento, por iniciativa do executivo de futebol Rafinha e com a concordância da Presidência. O próprio executivo (Rafinha) declarou: 'Já recebi dinheiro em espécie no São Paulo, no Flamengo, no Grêmio, no Coritiba. Em todos os clubes em que eu recebi. Isso faz parte do futebol. É o bicho molhado'", seguiu.

"Esta declaração possui especial relevância in causa porque demonstra que a entrega imediata de premiação em dinheiro constitui prática conhecida e disseminada em diferentes clubes brasileiros. Mais do que isso, evidencia que o próprio SPFC continuou a sacar e manusear dinheiro em espécie após a gestão do autor. É manifestamente contraditório, portanto, utilizar contra a administração anterior um procedimento que a gestão sucessora reconhece como usual, legítimo e funcional", complementou.

Casares ainda assegurou que "não existe prova documental" de que os valores sacados em espécia "tenham sido recebidos ou apropriados pessoalmente" por ele.

O caso do cartão corporativo

Sobre a polêmica do cartão corporativo do Tricolor, que teria sido usado por Casares para pagamentos de despesas pessoais, o ex-cartola apontou que "não existiam regras claras para sua utilização em gestões anteriores"

Ele argumenta que, em 2025, "foram criadas normas internas de controle", com o então presidente "devolvendo voluntariamente" o valor de R$ 560.401,74 ao clube, corrigidos monetariamente, "para evitar questionamentos futuros".

A petição ainda sustenta que houve "perseguição política interna" contra Casares, a chamada "lawfare", que é, em termos jurídicos, a "utilização de mecanismos institucionais para atingir adversários políticos".

Os pedidos feitos à Justiça

À Justiça, Casares pede que seja declarada a "inexistência de gestão temerária em sua administração", especialmente quanto ao exercício de 2025, e também o reconhecimendo da eficácia jurídica do quitus decorrente da aprovação das contas de 2021 a 2024.

O ex-presidente também quer que o poder judiciário declare como regular o uso do cartão corporativo diante da devolução dos valores.

O ex-cartola ainda exirgiu que seja determinado que o São Paulo apresente "ampla documentação financeira e contábil", realizando perícia contábil judicial para verificar se houve efetivamente gestão temerária ou desvio de recursos.

Procurado pela ESPN, o São Paulo não se pronunciou até a publicação desta reportagem. Caso o clube se posicione, o texto será atualizado.

A expulsão de Casares

Em votação realizada em 10 de setembro, o Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou, por 223 votos a cinco, a expulsão de Julio Casares do quadro associativo do clube.

Casares era alvo de um processo na Comissão de Ética, que recomendou sua expulsão por gestão temerária ou irregular. A decisão foi unânime entre os cinco integrantes do órgão, com base em investigações internas que apontaram possíveis irregularidades durante sua gestão, entre janeiro de 2021 e janeiro de 2026.

O caso também é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. O ex-dirigente foi enquadrado no artigo 34 do Estatuto Social.

Entre os argumentos apresentados está a constatação de aproximadamente R$ 7 milhões em saques das contas do São Paulo cuja documentação, segundo o relatório do relator Luiz Braga, não permitia comprovar adequadamente a origem, a finalidade e o destino dos valores.

A Comissão de Ética também citou despesas feitas com o cartão corporativo em estabelecimentos de luxo, restaurantes, charutarias, salões de beleza, além de gastos médicos, medicamentos pessoais e compras em pet shops.

O caso veio a público em julho deste ano, que apontou R$ 1 milhão em despesas no cartão durante a gestão de Casares. Entre elas, estavam 71 pagamentos no Esch Café, casa de charutos, 53 no restaurante Gero e outras compras em lojas de luxo. Em novembro do ano passado, o ex-presidente devolveu R$ 560.401,74 ao clube, quando já era investigado pela Polícia Civil por possíveis irregularidades.

Além da expulsão, a Comissão de Ética recomendou que Casares indenize o São Paulo por eventuais danos materiais, conforme o artigo 11 do Estatuto Social. O valor ainda será calculado.

Em meio ao processo, o ex-dirigente chegou a pedir o encerramento do procedimento, mas a solicitação foi rejeitada com base no artigo 38, que impede a saída do quadro associativo durante um processo administrativo disciplinar até sua conclusão.

Próximos jogos do São Paulo

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários