O gol de Yoane Wissa no empate por 1 a 1 entre RD Congo e Portugal, pela estreia da Copa do Mundo, teve um significado que foi além do futebol. Autor do primeiro gol da seleção congolesa em Mundiais, o atacante falou sobre a realidade vivida pelo país, que enfrenta conflitos armados principalmente no leste do território.
A região sofre há anos com confrontos envolvendo grupos armados e forças de segurança, em uma crise que deixou milhares de pessoas deslocadas e aumentou a instabilidade no país. Por isso, para Wissa, a presença da seleção na Copa representa algo maior para os congoleses.
“Foi bom o jogo. É difícil, estou muito feliz hoje. Gostei da entrega que tivemos em campo, jogamos contra uma das melhores equipes do mundo e tivemos que sofrer. Estou muito emocionado, este resultado é uma loucura. Estou feliz pelos meus companheiros e estafe, tal como a minha família”, disse o atacante em entrevista à CazéTV.
Depois da partida, Wissa falou diretamente sobre o momento vivido pela população. “Você sabe, é muito difícil em casa. Há guerra no Congo. Isso significa o mundo para eles. As pessoas veem o que querem ver. É um povo que trabalha muito duro. É por isso que estou muito feliz por eles. Só rezo por paz e o melhor para eles”, afirmou.
A República Democrática do Congo voltou a disputar uma Copa do Mundo depois de 52 anos, e Wissa marcou o primeiro gol do país na competição. A única participação anterior aconteceu em 1974, quando a equipe ainda era chamada de Zaire.
A relação de Wissa com a seleção começou antes da fama internacional. Ainda nas categorias de base do Châteauroux, na França, o atacante buscou uma oportunidade para defender o país de sua família e chegou a enviar uma mensagem pelo Facebook à federação congolesa. O pedido deu resultado: ele estreou pela seleção principal em 2020 e, agora, foi o responsável pelo primeiro ponto conquistado por sua equipe em um Mundial.
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