
Uma das crises atravessadas pelo Corinthians nos bastidores, a apuração do Ministério Público de São Paulo no processo que investiga a contratação da empresa Bear Security Ltda. ganhou um novo elemento nesta semana.
Além do forte depoimento do ex-diretor administrativo Fabio Soares Souza, que detonou Osmar Stabile, o MP juntou ao processo uma manifestação do departamento de compliance do clube, que fez cinco alertas sobre a empresa.
Entre os pontos citados no relatório está que uma das pessoas listadas como proprietária da Bear Security Ltda. foi beneficiária do programa social Bolsa Família, do Governo Federal, entre 2023 e 2024, recebendo depósitos mensais de R$ 750.
De acordo com a defesa de Osmar Stabile no processo, o contrato com a Bear Security Ltda. tem por objeto a vigilância e a segurança pessoal privada do Presidente, com seis postos em regime de dezesseis horas diárias, ao valor mensal de R$ 65.000,00.
Ainda segundo relatório do compliance, à época em que foi contratada pelo Corinthians, a empresa tinha apenas um ano de existência, sob o porte de "micro" e capital social inferior ao valor do contrato mensal com o clube do Parque São Jorge.
A sede da Bear Security Ltda. aparece como sendo no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro.
O departamento do clube também apontou que, apesar de o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) identificar que a Bear era compatível com o serviço de vigilância, era recomendado que fossem solicitados os alvarás de funcionamento, licenças do Exército, da Polícia Federal, cursos de capacidade técnica e prática dos profissionais que prestariam serviços.
Veja abaixo os cinco pontos citados pelo compliance do Corinthians como situações que poderiam gerar riscos significativos':
Empresa tem 1 ano existência;
Porte da empresa é MICRO;
Sócia da empresa beneficiária de Bolsa Família 2023 e 2024;
Capital social inferior ao valor do contrato mensal; e
Empresa possui até 4 funcionários, verificar capacidade de entrega e estrutura.
Segundo o MPSP, a empresa não possui autorização da Polícia Federal para prestar os serviços desta natureza, tendo o Corinthians como único cliente desde a fundação e emitindo notas fiscais sequenciais ao clube do Parque São Jorge.
Ainda de acordo com a denúncia, a qual a ESPN teve acesso, a Bear Security está registrada em nome da esposa de um dos policiais militares que prestavam serviços ao presidente antes de sua posse no cargo.
De acordo com o MP, os pagamentos ocorrerem desde julho de 2025, enquanto o contrato entre a empresa e o Corinthians só foi assinado formalmente em março de 2026.
Em setembro, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) ofereceu denúncia à Justiça contra Osmar Stabile por crime de apropriação indébita continuada. Segundo o Promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino, o dirigente se valeu de recursos financeiros da instituição para bancar despesas particulares de segurança privada.
Na denúncia, o Ministério Público pediu à Justiça que Osmar Stabile faça o ressarcimento de R$ 721.194,66 aos cofres do clube, pedindo ainda o pagamento de R$ 540.895,99 (valor que corresponde a 75% do valor material) a título de “danos morais por abalo institucional e reputacional causado à imagem do Corinthians”, demandando o bloqueio de bens do dirigente para garantir o pagamento dos valores.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ofereceu denúncia à Justiça contra Osmar Stabile, presidente do Corinthians, por crime de apropriação indébita continuada. Segundo o Promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino, o dirigente se valeu de recursos financeiros da instituição para bancar despesas particulares de segurança privada.
Em manifestação à Justiça em resposta à investigação, conforme revelou a ESPN, a defesa de Stabile que os gastos com segurança particular decorrem de riscos reais, notórios e graves à integridade física do cartola e de seus familiares, oriundos do exercício do cargo.
Como a ESPN detalhou, o dirigente levou à Justiça uma lista de casos de ameaças feitas por torcedores e associados do clube, como a invasão da sala da presidência em maio de 2025, além de mensagens recebidas com armas de fogo após a decisão de não renovar o contrato com Memphis Depay, em agosto de 2026.
De acordo com a defesa, “a contratação dos serviços de segurança celebrado com a Bear Security Ltda. ocorreu no exercício da Presidência, em 9 de março de 2026, e tem por objeto a vigilância e a segurança pessoal privada do Presidente, com seis postos em regime de dezesseis horas diárias, ao valor mensal de R$ 65.000,00”.
Em réplica, em manifestação assinada pela Promotora de Justiça Nina Pereira Malheiros, o órgão reiterou o entendimento de que o dirigente se valeu de recursos financeiros da instituição para bancar despesas particulares de segurança privada.
“Os elementos colhidos indicam que o acusado, valendo-se das prerrogativas inerentes à Presidência do Sport Club Corinthians Paulista, teria autorizado o emprego reiterado de recursos da entidade para custear serviços de segurança de natureza aparentemente particular, inclusive em benefício de familiares”.
Segundo o MPSP, a empresa não possui autorização da Polícia Federal para prestar os serviços desta natureza, tendo o Corinthians como único cliente desde a fundação e emitindo notas fiscais sequenciais ao clube do Parque São Jorge.
Ainda de acordo com a denúncia, a qual a ESPN teve acesso, a Bear Security está registrada em nome da esposa de um dos policiais militares que prestavam serviços ao presidente antes de sua posse no cargo.