Quarta, 07 de Outubro de 2026
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Como substituir Messi: entenda possíveis cenários para a Argentina após a aposentadoria do ídolo

É oficial: chegou ao fim a passagem de Lionel Messi com a camisa da Argentina.

07/10/2026 às 09h32
Por: Redação Fonte: Carlos Duarte
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Lionel Messi com o troféu da Copa do Mundo antes de Argentina x Panamá Marcelo Endelli/Getty Images
Lionel Messi com o troféu da Copa do Mundo antes de Argentina x Panamá Marcelo Endelli/Getty Images

É oficial: chegou ao fim a passagem de Lionel Messi com a camisa da Argentina. O ídolo nacional fez seu último jogo na terça-feira (6), contra Benin, quando ajudou com duas assistências e marcou o gol derradeiro com a camisa azul e branca.

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Mesmo com muitas celebrações após a partida, uma pergunta imediatamente entra na mente dos torcedores e -- ainda mais importante -- do técnico Lionel Scaloni: após mais de 200 jogos e 21 anos na seleção, quem será o herdeiro da camisa 10 e substituto de La Pulga?

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Uma coisa é certa: verdadeiramente falando, Messi é insubstituível. Mas Scaloni deverá encontrar, a partir de agora, o jogador que ocupará seu lugar no time titular da Argentina.

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Desde sua estreia pela Albiceleste, em 17 de agosto de 2005, já se passaram 21 anos. Nesse período, Leo deixou de ser apenas um talento extraordinário para se tornar a maior referência da história do futebol argentino. Agora, após sua segunda despedida da seleção, desta vez aparentemente definitiva e em um momento melhor, resta um vazio que nenhum jogador poderá preencher completamente.

Messi se despede depois de ter liderado a Argentina a duas Copas Américas e uma Copa do Mundo, disputando três das últimas quatro finais: Brasil 2014, Qatar 2022 e Estados Unidos, México e Canadá 2026.

Na carta em que anunciou sua aposentadoria, o próprio Messi deixou uma frase que parece ter sido escrita pensando no futuro da Albiceleste: “Eu me esgotei, não tenho mais nada a oferecer e, além disso, há jovens muito talentosos vindo por aí que merecem estar na seleção”. Esses jovens já estão aí. Alguns são conhecidos há muito tempo, como Paulo Dybala. Outros representam uma geração ainda mais nova que começa a reivindicar protagonismo, como Nico Paz e Franco Mastantuono. E há nomes como Matías Soulé ou Emiliano Buendía que agora podem encontrar um espaço maior dentro da equipe".

Quem será o 10? A pergunta surge quase inevitavelmente. Mas há algo que a Argentina deveria evitar: procurar um substituto para Messi. Ele não existe.

A Seleção não conta hoje com um jogador que possa assumir exatamente as mesmas funções, produzir os mesmos números e suportar o mesmo peso futebolístico. E talvez nem precise encontrá-lo.

O Barcelona já tem um bom exemplo do que significa conviver com uma ausência desse tipo. Lamine Yamal herdou a camisa 10 e assumiu parte da responsabilidade que Messi deixou, mas o próprio jogador evita as comparações. Porque o problema de buscar “o novo Messi” é que qualquer jogador estará fadado a sair perdendo diante dessa comparação.

A Argentina terá que encontrar outra fórmula

Entre o elenco, continuam alguns dos melhores jogadores de futebol do mundo: Julián Alvarez, Lautaro Martínez, Enzo Fernández e Alexis Mac Allister. E, entre eles, "Lá Araña" surge como um dos candidatos que poderiam assumir uma função mais criativa e recuada.

Julián demonstrou ao longo de sua carreira que não é um centroavante tradicional. Ele consegue se movimentar atrás de outro atacante, criar jogadas, conduzir a bola e aparecer entre as linhas. Essa versatilidade poderia torná-lo uma das alternativas para ocupar parte do espaço deixado por Messi, mesmo que a camisa 10 acabe nas costas de outro jogador.

Lautaro, um 10 que já conhece esse número

Lautaro Martínez tem uma particularidade que poucos de seus companheiros podem apresentar: ele já veste a camisa número 10 em um dos grandes clubes da Europa.

O atacante argentino é capitão do Inter de Milão e usa esse número, embora, historicamente, seu estilo de jogo tenha sido associado ao de um centroavante. No entanto, sua evolução também lhe permitiu afastar-se da área, participar mais do jogo e atuar em conjunto com outros atacantes.

Não seria absurdo imaginá-lo como uma referência mais recuada em determinados momentos, embora sua principal virtude continue sendo sua capacidade de finalização.

Mac Allister e Enzo, outras alternativas

Alexis Mac Allister é outro jogador que pode entrar na discussão. No Liverpool, ele se tornou uma peça central e também demonstrou que pode atuar em diferentes posições no meio-campo, especialmente quando tem liberdade para se aproximar da área.

O argentino, além disso, está passando por uma fase importante na Inglaterra. Ele marcou o gol decisivo na vitória do Liverpool sobre o Atlético de Madrid pela Champions League, e seu futuro no clube está até mesmo em debate devido à falta de renovação contratual.

Enzo Fernández também entra nessa conversa. Após sua passagem impressionante pelo Chelsea, o meio-campista acaba de se tornar uma das grandes contratações do mercado: o Manchester City pagou cerca de 145 milhões de euros (R$ 871 milhões) por sua contratação. Em sua estreia contra o Coventry City, ele já se mostrou seu lado mais ofensivo, participando da jogada que resultou no gol de Erling Haaland.

Mas nenhum deles precisa se tornar um Messi para levar a Argentina ao sucesso.

Mastantuono já vestiu a camisa 10

Franco Mastantuono já conhece a sensação de vestir a camisa que, por tantos anos, pertenceu a Messi.

Em 9 de setembro de 2025, com Leo ausente e Thiago Almada fora por causa de uma lesão muscular, o então jogador do River Plate recebeu a camisa 10 para enfrentar o Equador nas eliminatórias. Ele tinha apenas 18 anos.

Aquilo foi apenas um prenúncio do que poderia vir. Mastantuono disputou sua primeira temporada na Europa pelo Real Madrid, mas teve uma participação mais discreta do que o esperado. Em 2026, acabou sendo emprestado à Fiorentina até junho de 2027, após somar 35 partidas e três gols em sua primeira campanha na Espanha.

Sua trajetória na Seleção, no entanto, está apenas começando.

Nico Paz não tem medo do desafio

Se há um jogador que parece disposto a assumir o desafio, esse jogador é Nico Paz.

Aos 21 anos, o meio-campista já disputou sua primeira Copa do Mundo e, embora tenha tido poucos minutos em campo, deixou claro, após a derrota para a Espanha, que pensa grande.

“Prometo dar absolutamente tudo de mim para trazer essa taça de volta para a Argentina”, escreveu ele após a final perdida para a Espanha.

Paz representa, provavelmente, uma das maiores esperanças da nova geração. Ele tem talento, personalidade e uma característica que pode ser determinante na era pós-Messi: joga naturalmente entre as linhas e não parece ter medo de pedir a bola.

Dybala, o herdeiro que nunca chegou a ser coroado

Paulo Dybala pareceu destinado a ser o herdeiro natural de Messi.

Canhoto, talentoso, protagonista na Itália com a Juventus e a Roma, o jogador de Córdoba reunia muitas das condições que poderiam transformá-lo no sucessor lógico. Mas as lesões, as decisões técnicas e o passar do tempo foram afastando-o desse papel.

Agora, aos 32 anos, o trem parece ter passado.

Isso não significa que Dybala não possa mais ser importante para a Argentina. Pelo contrário. A saída de Messi pode abrir uma nova oportunidade para ele dentro de um elenco em que seu talento ainda tem espaço.

Soulé e Buendía aguardam sua chance

Na Roma também está Matías Soulé, outro canhoto talentoso que busca maior destaque na Albiceleste. Aos 23 anos, ele já sabe o que significa ser protagonista na Itália e acaba de iniciar a temporada marcando o gol da vitória contra a Atalanta.

Emiliano Buendía é outro nome a ser levado em conta. O jogador do Aston Villa usa atualmente o número 10 em seu clube e, depois de ter ficado de fora da convocação para a Copa do Mundo de 2026, volta a ter uma oportunidade em um cenário completamente diferente.

A saída de Messi também pode mudar seu panorama na Seleção. O desafio não é substituí-lo, mas deixar de precisar dele.

Scaloni terá que construir uma Argentina diferente. Uma Seleção que não precise que um único jogador coordene todo o seu jogo. Uma equipe mais coletiva, na qual Julián, Lautaro, Enzo, Mac Allister, Nico Paz, Mastantuono e todos os outros que virão em seguida possam dividir as responsabilidades.

Até mesmo Messi teve que conviver durante anos com uma comparação impossível: a de Diego Armando Maradona. Cada tropeço, cada partida perdida, cada título que não chegava servia para lembrar que “ele não era o Diego”.

Mas ninguém poderia ser o Diego. Assim como ninguém poderá ser o Messi.

Ansu Fati ou Lamine Yamal? O exemplo em Barcelona

O Barcelona é a melhor fonte de análise para como fazer uma transição de sucesso em uma era pós-Messi -- e como falhar completamente na missão. Desde que o argentino deixou a catalunha, dois jogadores tentaram fazer jus ao posto de herdeiro deixado por ele. Um conseguiu. O outro, não.

No Barcelona, após a saída dramática de Leo, Ansu Fati assumiu a pesada camisa 10, mas sua carreira não correspondeu às expectativas, entre lesões e baixo rendimento. Hoje, aquele que parecia ser a joia do Barça está no Mônaco; depois de ter sido avaliado em mais de 100 milhões, foi contratado por 11.

Do outro lado da equação, há Lamine Yamal. O talentoso jogador do Barça, ainda longe da melhor versão do argentino, tem sido o protagonista do time e, talvez junto com Mbappé, uma das maiores estrelas do futebol atualmente.

De forma inteligente, Lamine sempre procura evitar a comparação com Messi; ele até fala mais do seu ídolo, Neymar. Outra estrela, mas alcançável do que o argentino, sobretudo em Barcelona.

Agora começa a era em que a Argentina terá que provar que, com todo o talento que ainda tem em seu elenco, também pode continuar vencendo sem precisar que Leo esteja em campo. A Copa América de 2028 será o primeiro grande desafio à vista.

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