De terra arrasada e sufocado financeiramente a um dos times mais legais de assistir na NBA em apenas uma temporada. O Phoenix Suns fez um grande trabalho na montagem de elenco e que os levou aos playoffs no último ano e dobra a aposta para 2026/27.
Ao mesmo tempo, tem caras novas que podem resolver problemas da última temporada, bem como se apoia no desenvolvimento de jovens com potencial, como Khaman Maluach, Oso Ighodaro e Rasheer Fleming. Do caos da equipe gerida por Robert Sarver e com Kevin Durant em quadra, até Devin Booker assumindo de vez a liderança do time, com Matt Ishbia sendo proprietário da organização, o torcedor dos Suns viveu inúmeros momentos turbulentos, que parecem ter ficado para trás.
Mas numa Conferência Oeste mais fraca que a do último ano, principalmente na Divisão Pacífico, (Suns, Lakers, Clippers, Kings e Warriors), Booker, Brooks, Green e companhia precisarão provar que o desenvolvimento está numa curva crescente e com possibilidade de voltar a brigar por coisas maiores na liga.
Campanha: 45 vitórias e 37 derrotas
Classificação: 7º lugar na Conferência Oeste
Nos playoffs: eliminado pelo Oklahoma City Thunder por 4 a 0 na primeira rodada
O que aconteceu: poucos consideravam o Phoenix Suns uma equipe capaz de brigar por algo após a saída de Kevin Durant. Muito embora não brigasse com ele, a expectativa era de que a franquia descesse na tabela para brigar por boas escolhas de Draft, dado o elenco mais enxuto e a complexidade da folha salarial comprometida nas próximas temporadas. Mas não foi o que aconteceu. A dupla Devin Booker e Dillon Brooks deu muito certo, Collin Gillespie despontou como um armador titular confiável, e a defesa montada foi uma das mais fortes da liga. Mesmo sem Jalen Green, lesionado, ao longo de toda a temporada os Suns alternaram entre a zona de classificação direta aos playoffs e o play-in, onde terminaram na Conferência Oeste. Foram surpreendidos pelos Trail Blazers na primeira rodada, mas venceram os Warriors com tranquilidade na segunda. Mas o cruzamento nos playoffs o colocaram frente ao Thunder, contra quem não foram páreo nos quatro jogos.
Escolhas de Draft: Koa Peat (ala-pivô, 30ª escolha)
Quem mais chegou: Miles Bridges (ala, Charlotte Hornets), Luke Kennard (ala-armador, Los Angeles Lakers), Pat Spencer (armador, Golden State Warriors) e Duop Reath (pivô, Portland Trail Blazers)
Quem foi embora: Grayson Allen (ala-armador, Charlotte Hornets), Royce O’Neale (ala, Charlotte Hornets) e Amir Coffey (ala, Hapoel Tel Aviv/Israel)
Provável time titular: Devin Booker, Jalen Green, Dillon Brooks, Miles Bridges e Oso Ighodaro
Reservas: Collin Gillespie, Jordan Goodwin, Jamaree Bouyea, Pat Spencer (armadores), Luke Kennard, Koby Brea (alas-armadores), Ryan Dunn, Haywood Highsmith (alas), Rasheer Fleming, Koa Peat (alas-pivôs), Mark Williams, Khaman Maluach e Duop Reath (pivôs)
Técnico: Jordan Ott
Depois de uma campanha que pode ser considerada surpreendente, os Suns fizeram alguns ajustes pontuais no elenco para tentarem subir mais um degrau na escala de competitividade do Oeste. Grayson Allen e Royce O'Neale foram para o Charlotte Hornets em troca de Miles Bridges, ala versátil, especialmente na defesa, e bastante atlético que era titular absoluto no ex-time.
Uma outra novidade que merece destaque é o ala-armador Luke Kennard, um dos melhores arremessadores da NBA, que tem aproveitamento de 44% nas bolas de três pontos ao longo de nove anos de carreira. Não é um jogador que chega para ser titular, longe disso, mas certamente vai ajudar a abrir espaços nas defesas adversárias quando estiver em quadra.
De resto, o grosso do elenco é o mesmo. A decisão de estender o contrato de Dillon Brooks até 2029/30 ajuda a mostrar uma inclinação a dar uma continuidade ao grupo que excedeu as expectativas na última temporada. E há ainda uma esperança em torno do que pode acontecer se Jalen Green superar as lesões e voltar a entrar em quadra com maior consistência.
"Durante a temporada passada, acredito que poderia ter feito um melhor trabalho no sentido de me impor como pontuador, mesmo contra defesas mais fortes. Andei assistindo vídeos para entender como continuar a atacar e colocar pressão sobre as defesas, mesmo quando elas fazem dobras de marcação. Mas também não quero perder a habilidade de fazer uma jogada e fazer um passe que encontre o Collin Gillespie livre para chutar de três. Tentar encontrar esse equilíbrio, para mim, vem sendo uma questão de seguir fazendo o que sinto que está funcionando, só que às vezes eu acabo passando a bola demais. Espero que nesse ano a balança pese mais os meus arremessos do que para meus passes."
As palavras são de Devin Booker, que parece já ter uma meta muito clara de ser mais agressivo no ataque do que foi na temporada passada.
Uma das razões que explicam a boa campanha dos Suns na temporada passada foi a defesa. Os 112,9 pontos sofridos a cada 100 posses de bola colocaram a equipe em nono lugar no ranking das defesas mais eficientes da liga. Grande parte deste sucesso se deu pelo forte nível de pressão que os jogadores de perímetro impuseram nos rivais, forçando-os a 16,3 desperdícios por jogo. Só Detroit Pistons (16,9) e Oklahoma City Thunder (16,7) foram superiores neste quesito.
Há elementos para se acreditar que essa identidade continuará forte, ou até mesmo ainda melhor. Não só porque a continuidade das principais peças tende a favorecer o entrosamento, algo tão importante para as atuações coletivas das defesas, mas também pela chegada de Miles Bridges, de quem a franquia parece esperar bastante impacto nesse lado da quadra.
Apesar da boa campanha na última temporada, o Phoenix Suns teve problemas no garrafão. Com dificuldades em manter a titularidade com Nick Richards e Mark Williams, coube ao jovem Oso Ighodaro a missão de ser o pivô principal dos quintetos ao longo de toda a temporada, muitas vezes como titular. Com apenas 23 anos, não fez um trabalho ruim, mas a falta de experiência, tanto na liga quanto na posição, uma vez que até então atuava mais como ala-pivô, impediram voos maiores na posição, especialmente no ataque, já que a defesa é seu ponto forte.
Mesmo diante desta lacuna, os Suns apostaram novamente nos mesmos nomes para a posição, esperando um desenvolvimento natural. Afinal, Ighodaro irá para sua segunda temporada com maior minutagem na posição. Khaman Maluach, draftado na 10ª posição em 2025, chegou na NBA muito cru, com apenas 20 anos, e passou quase todo o ano se desenvolvendo. Na Summer League de semanas atrás, com 19,5 pontos, 12,8 rebotes e 2 tocos de média, demonstrou um nível muito maior que na temporada passada, e tende a ser bem mais útil. Ele também surpreendeu com 40% de aproveitamento do perímetro, mesmo com 2,16m. As boas atuações foram suficientes para colocá-lo no segundo time ideal da competição.
Por fim, Mark Williams teve a primeira temporada saudável da carreira, e é um titular confiável, embora com algumas limitações. Além deles, o australiano Duop Reath chegou para completar o elenco e apresentar a alternativa de jogar com cinco abertos, uma vez que tem bom chute do perímetro.
Ainda assim, a menos que haja uma grande evolução de Maluach e Ighodaro, não é o garrafão mais empolgante da Conferência Oeste.
Pode não parecer, mas Devin Booker disputará sua 12ª temporada na NBA. O ala chegou em 2015/16, com apenas 19 anos, e foi uma presença constante desde então, com poucas lesões e desfalques ao longo da carreira. Agora, aos 30, é de fato o líder dos Suns. Optou por ficar na franquia mesmo nos piores momentos, ganhou a confiança da diretoria e da torcida, e é presença frequente no All-Star Game.
A regularidade é, talvez, a principal característica de Booker. Desde 2017 fica entre 25 e 27,8 pontos de média e sempre que necessário exerce todos os papéis possíveis na equipe, de organizador principal a defender o destaque adversário. Não à toa, foi justamente esse perfil que o levou a ser peça de confiança nas estreladas seleções americanas nas Olimpíadas de 2020 e 2024.
Só que nessa temporada, em tese, ele não precisará ser tão multitarefas. Ou, ao menos, o time dependerá dessa capacidade de Booker. Com Jalen Green e Dillon Brooks saudáveis, e a chegada de Miles Bridges ao quinteto titular, Booker pode continuar fazendo um pouco de tudo, sem ter que ir ao limite em cada posse. Completo, Phoenix tem bons pontuadores, bons defensores, bons reboteiros, etc. E Booker (além de Miles Bridges, que também tem um quê de all-around), agora mais experiente, pode ser uma engrenagem perfeita ligando todos os setores do time e assumindo a responsabilidade quando necessário.
O astro promoveu uma mudança curiosa para a temporada: deixou de usar a camisa 1, para usar a 15. A mudança foi feita para homenagear seu pai, Melvin Booker, destaque do basquete universitário nos anos 1990, mas de curta passagem pela NBA, bem como para reverenciar as duas medalhas olímpicas conquistadas pelos EUA, ambas com a camisa 15. Resta saber se o novo número também representará um novo estilo e nova fase na trajetória do ala/armador na liga.
Collin Gillespie foi a grande surpresa dos Suns na última temporada. Após ficar limitado a contratos two-way no início da carreira, conseguiu um contrato definitivo quando Phoenix ainda estava em reconstrução e, no ano seguinte (2025/26) teve a tão aguardada oportunidade como titular - e não decepcionou.
Foram 12,7 pontos (com 40% de aproveitamento do perímetro), 4,1 pontos e 4,6 assistências em 28,5 minutos por partida, com apenas 1,6 erro. Tudo isso aconteceu, principalmente por conta da lesão de Jalen Green. Agora, com o ala/armador de volta à equipe, Gillespie deve voltar ao banco de reservas, mas em um patamar muito maior que há duas temporadas, podendo se dividir entre elevar o nível da segunda unidade e jogar ao lado dos titulares para tirar um pouco a bola das mãos de Booker e Green.
Outro que merece atenção é Miles Bridges. O ala/pivô chegou do Charlotte Hornets a troco de Grayson Allen e Royce O’Neale, que eram peças importantes dos Suns. No quinteto titular, ocupará justamente o espaço de O’Neale, o que pode ser considerado um upgrade. Muito mais participativo no ataque e não tão bom, mas longe de ser um problema na defesa, Bridges faz um pouco de tudo e dará mais possibilidades ao ataque de Phoenix, ao invés de ficar parado na zona morta ou no dunker spot, próximo à cesta. Precisa, entretanto, recuperar o aproveitamento dos três pontos, que ficou em apenas 32% nas últimas duas temporadas.
Por fim, olho em Khaman Maluach. O sul-sudanês terá mais minutos na temporada, e será especialmente testado contra outros gigantes de mais de 2,15m na divisão, como Chet Holmgren do Thunder, Donovan Clingan, dos Trail Blazers, e claro, Victor Wembanyama, dos Spurs.
Mais maduro e com físico mais desenvolvido, deve começar a ser, de fato, um pivô de NBA, ao invés de apenas um diamante bruto visando o futuro. Como mencionado itens acima, foi um dos destaques da Summer League e mostrou, entre outras coisas, que adicionou novas armas ao arsenal ofensivo. Se na temporada passada os Suns não tinham pressa, o sucesso acima das expectativas pode acelerar o processo de utilização de Maluach no Arizona.
3 (médio) - Devin Booker promete um comportamento ofensivo mais agressivo, o que deve render alguns bons momentos para que se deparar com os Suns em algum momento na temporada. Definitivamente, uma postura como essa de uma estrela como ele já basta para colocar o time acima de alguns outros que devem ser bastante desinteressantes. Por outro lado, está longe dos que parecem imperdíveis.
No cenário mais otimista: o time mantém mais ou menos o ritmo da última temporada, consegue duas ou três vitórias a mais e se classifica direto aos playoffs, sem passar por play-in desta vez, mas ainda com chances pequenas de avançar à segunda rodada.
No cenário mais pessimista: os Suns dão um ou dois passos para trás em relação ao último ano, ao passo que alguns outros concorrentes de conferência melhoram, o que acarreta em mais derrotas do que vitórias e tira o time até do play-in.
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