
O empresário John Textor, atualmente afastado da SAF do Botafogo e em tentativa de retomar o controle do clube, foi condenado pela Justiça do Paraná a pagar uma indenização de R$ 50 mil por danos morais ao árbitro Rafael Traci - o pedido original era de R$ 100 mil. Cabe recurso.
Traci, que atua como VAR em partidas da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), foi acusado de ter manipulado imagens de vídeo no famoso jogo em que o Glorioso perdeu de virada por 4 a 3 para o Palmeiras, no Nílton Santos, pelo Campeonato Brasileiro de 2023. O lance em questão envolveu a expulsão do zagueiro Adryelson, da equipe carioca.
O juiz entrou, em julho de 2024, com processo contra o norte-americano, alegando que que Textor publicou vídeos e postagens em suas redes sociais com acusações de manipulação, sugerindo que o comandante do VAR influenciou o árbitro Bráulio da Silva Machado a expulsar Adryelson em um lance no qual havia dado inicialmente apenas cartão amarelo. Segundo Traci, isso "atingiu sua reputação profissional" e "gerou perseguições e prejuízos à sua carreira".
Na sentença, à qual a ESPN teve acesso, a juíza Bruna Richa Cavalcanti de Albuquerque, da 4ª Vara Cível de Curitiba, condenou Textor a pagar indenização de R$ 50 mil (acrescida de correção monetária e juros) a Traci, além de remover em até cinco dias duas postagens no Instagram em que cita o árbitro brasileiro, sob pena de multa diária de R$ 1 mil (chegando a um limite máximo de R$ 50 mil).
Textor ainda terá que pagar 80% das custas processuais e os honorários advocatícios, fixados em 15% do valor da causa.
De acordo com a magistrada, as manifestações do americano foram baseadas em "acusações graves" feitas sem "base factual suficiente". Segundo a juíza, elas "ultrapassaram a crítica esportiva legítima" e "imputaram ao árbitro uma suposta fraude esportiva".
A magistada ainda considerou que o estudo produzido pela empresa "Good Game!", usado por Textor para sustentar suas acusações, "não teve validação oficial".
Um depoimento de Bráulio da Silva Machado, que foi o árbitro principal daquele Botafogo x Palmeiras e aprovou todo o protocolo do VAR, também foi usado para apoiar a tese da juíza de que ficou caracterizado "abuso do direito de manifestação" por parte do empresário, com "dano à honra e à imagem profissional" de Rafael Traci.
Na mesma sentença, porém, Bruna Richa Cavalcanti de Albuquerque negou outro pedido feito pelo árbitro de VAR, que queria que a Justiça impedisse Textor de mencionar seu nome no futuro, sob pena de multa.
Segundo a juíza, isso configuraria censura prévia, o que é vedado pela Constituição do Brasil e pela jurisprudência do STF (Supremo Tribunal Federal).
A ESPN procurou John Textor, que se posicionou por meio de nota oficial. Confira abaixo na íntegra:
Eu não tinha absolutamente nenhum conhecimento sobre esse processo. Acreditava que o caso ainda estivesse em andamento e não participei da minha própria defesa.
Dito isso, mantenho todas as preocupações que manifestei na época sobre a manipulação indevida das imagens no nosso jogo decisivo contra o Palmeiras.
Também gostaria de lembrar ao público que uma análise completa das imagens do VAR levou o presidente da CPI do Senado a declarar publicamente que “o Sr. Textor nos apresentou provas incontestáveis de manipulação do VAR”.
Minha posição sempre foi defender o Botafogo e exigir respostas quando acreditava que o clube havia sido prejudicado. Essa luta fez parte de uma transformação mais ampla no clube - que foi seguida por um 2024 extraordinário, com o Botafogo conquistando o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores.
Tenho orgulho do que conquistamos juntos em 2024 e sempre defenderei meu compromisso com o Botafogo e com seus torcedores.
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