
As novas diretrizes da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), publicadas na última sexta-feira (14), seguem repercutindo no mundo do esporte. Desta vez, foi Gabi Guimarães, por meio das redes sociais, quem se pronunciou sobre o banimento de mulheres trans em competições da entidade. A capitã da Seleção Brasileira, considerada uma das melhores jogadoras do mundo, prestou apoio a Tifanny, única jogadora transgênero em ação na elite do vôlei nacional.
Por meio da ferramenta de stories do Instagram, a ponteira repostou a publicação de Tifanny em repúdio às novas normas da CBV, alinhadas ao Comitê Olímpico Internacional (COI). Gabi Guimarães se solidarizou à luta de Tifanny, com a frase "Estou com você!", seguida por um emoji de coração.
Na legenda da publicação de Tifanny, que é acompanhada por uma foto da jogadora com as companheiras no vestiário do Osasco, a atleta criticou a CBV por tirar "tudo" que ela tem, considerou a decisão um "retrocesso" e prometeu não se calar e seguir lutando por seus direitos e os de todas as pessoas trans. Confira:
"O voleibol é a minha vida e o meu trabalho.
A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos.
Mas isso não afeta só a mim, afeta ao meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim e ainda direito de todas as pessoas Trans.
É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e pela inclusão. Voltamos para a forma vexatória como se testavam as atletas nos anos 60/70.
Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, à inclusão e à prática do esporte não tenha sido em vão."
A CBV anunciou na última sexta-feira (14) que adotará os critérios previstos na Política de Proteção da Categoria Feminina do Comitê Olímpico Internacional (COI). Entre os requisitos estabelecidos está a realização de uma triagem genética para identificar a presença do gene SRY, relacionado ao desenvolvimento sexual masculino.
Segundo a entidade, a recusa da atleta em realizar o procedimento não será considerada uma infração disciplinar. No entanto, quem não apresentar a comprovação dos requisitos previstos na nova política ficará impedida de participar das competições em que a regra estiver em vigor.