
O Brasil perdeu a Copa do Mundo na pausa de hidratação do segundo tempo do jogo contra a Noruega, nas oitavas de final. Ao menos é essa a avaliação do técnico Carlo Ancelotti, revelada em entrevista exclusiva à ESPN, sua primeira desde o Mundial, exatos 24 dias após a derrota por 2 a 1.
O treinador italiano reconheceu que pode ter errado a avaliação da partida naquele momento, entendendo que a Seleção Brasileira tinha perdido o controle da partida. Por isso, ele decidiu mexer.
“Em geral, eu acho que o trabalho feito em um ano foi um trabalho bem feito. A nível logístico, a Seleção estava muito bem organizada com o hotel, com o gramado, com o campo de treinamento. Eu creio que a avaliação dos jogadores durante o ano foi positiva. Acho também que os 26 (convocados) eram os mais adequados para estarem ali”, iniciou ele, reconhecendo os pontos positivos do trabalho.
“Acontece que temos que considerar que o plano preparado no ano mudou um pouco com o tema das lesões, porque tivemos, no período entre março e a Copa do Mundo, muitas lesões: o Militão, o Rodrygo, e depois se lesiona o Estêvão, se lesiona o Wesley antes da Copa do Mundo. Durante a Copa do Mundo, se lesiona o Raphinha. Então, o plano mudou um pouco”, seguiu.
“Mas eu acho que perdemos a Copa do Mundo na pausa da hidratação contra a Noruega. Por quê? Porque, até ali, a equipe tinha o controle. Também é verdade que a Noruega tinha a posse, teve muita posse em seu próprio campo... A Noruega fez o mesmo jogo contra a Inglaterra. Teve o controle do jogo, mas, ao final, podia ganhar contra a Inglaterra”, continuou, entrando na análise de seu “erro”.
“Aí é que pode ter sido o meu erro pensar que a equipe perdeu o controle do jogo quando não estava perdendo o controle. Eu mudei um pouco a equipe, e aí tivemos o problema com o gol do Erling Haaland. E depois, numa Copa do Mundo, quando fazem um gol em você no minuto 30, é muito complicado recuperar. E tivemos a oportunidade de recuperar...”, encerrou ele.
Ancelotti foi muito questionado pela decisão de colocar Neymar em campo para a reta final da partida, o que teria “desequilibrado” o time. Sobre isso, contudo, o técnico não tem arrependimento.
“Não, a entrada do Neymar naquele momento, tirei o Rayan e coloquei o Endrick como ponta-direita, mas pensando que Neymar podia dar ou uma assistência, podia meter a qualidade naquele momento, no minuto 70. É o mesmo que eu queria fazer contra o Japão. Só que contra o Japão, porque eu coloquei o Gabriel Martinelli? Porque a equipe tinha o controle total do jogo. O Japão jogava só na transição. Não fazia falta fazer o gol, fazia falta... e eu pensava em colocar o Neymar na prorrogação contra o Japão.”
“Coloquei o Neymar um pouco antes para retomar o controle do jogo. E aí você tem que pensar também nas decisões que você tem que... Eu escutei o (Thomas) Tuchel falando que foi muito criticado, e a verdade é que você tem que tomar uma decisão que é muito difícil. É um momento onde tem muito estresse e você não acerta sempre”, complementou.
“Eu acho que o Neymar era para ser colocado, o Neymar tinha que entrar nesse momento porque o Neymar estava bem, treinou bem, se preparou bem. Eu gostei da atitude dele. Eu acho que ele ajudou a equipe. Mas, entrando ele, não tinha que mudar a estrutura da equipe.”