
A Copa do Mundo acabou no domingo (19) com uma decisão entre Espanha e Argentina, em Nova Jersey, e o Brasil passou muito, mas muito longe de almejar estar presente na festa. A eliminação nas oitavas de final para a Noruega aconteceu exatas duas semanas antes do encerramento do torneio, na pior campanha verde e amarela desde 1990.
Se voltar atrás para evitar erros neste Mundial é impossível, olhar para o futuro em cima de quem tem algo a ensinar à CBF e Seleção Brasileira é uma realidade que precisa ser entendida rapidamente. Aqui, os espanhóis podem oferecer algumas contribuições.
Abaixo, o ESPN enumera cinco lições que a mais nova campeã do mundo pode ensinar ao Brasil, que saiu dos Estados Unidos já pressionado pelo maior jejum de sua história em Copas.
Essa história começou lá atrás, ainda com Luis Aragonés e a campanha que culminou em título da Eurocopa de 2008. Já com Vicente del Bosque, vieram as taças da Copa do Mundo em 2010 e da própria Euro, em 2012. Troféus baseados em um estilo de jogo muito bem definido.
Quase duas décadas depois, a Espanha continua assim. Pratica um futebol ofensivo, baseado na posse de bola e troca curta e rápida de passes no ataque. Fixou o sistema em 4-3-3, sempre com pontas abertos e um meio-campo altamente técnico.
Ideias que ficaram claras nos times de Pep Guardiola, mas que hoje são realidade de toda a Espanha e começam nas categorias de base dos clubes. Algo completamente diferente do que vive o Brasil, cujo modelo de sucesso foi abandonado há anos.
Não é todo time que pode se dar ao luxo de ter um talento incrível como Lamine Yamal à disposição. Só que o interessante da história é ver que o garoto de 19 anos, apesar de já vivenciar a discussão sé é o sucessor natural de Lionel Messi, é apenas mais um dentro do ambiente da seleção.
O esquema montado por Luis de La Fuente oferece a Yamal a chance de desequilibrar no ataque, mas não coloca nos seus ombros a responsabilidade de carregar o time. Ao contrário: na Espanha, o coletivo é quem de fato é o protagonista. Um time de muitos talentos, que unidos se fortalecem.
Algo que o Brasil não tem mais há tempos. Os mais atentos vão lembrar de 2014, quando Neymar, só um pouco mais velho do que Yamal, era o único capaz de definir um jogo para a Seleção. O talento individual não pode ser desprezado jamais, mas o aspecto coletivo precisa prevalecer.
Basta pesquisar o currículo de Luis de La Fuente antes de assumir a Espanha: Portugalete, Aurrerá, time B do Athletic Bilbao e seleções sub-19, 21 e 23. Fosse no Brasil, muitos torceriam o nariz e reprovariam a ideia de dar a equipe principal na mão de um técnico assim.
O trabalho começou em 2022, logo após a queda na Copa do Mundo e a consequente saída de Luis Enrique, e tem rendido frutos ano a ano. Nations League em 2023, Eurocopa em 2024, Copa do Mundo agora em 2026 e a maior invencibilidade do futebol de seleções, com 38 jogos sem perder.
Enquanto isso, do outro lado do oceano, a CBF patinou. No mesmo período que a Espanha teve De La Fuente, o Brasil foi dirigido por Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e por último Carlo Ancelotti, uma sequência de filosofias que nem se assemelham e só turbinaram o caos que foi a preparação para esta Copa que se acabou.
Um sábio pensador de futebol disse uma vez que ataque ganha jogos, mas defesa conquista campeonatos. A Espanha levou essa ideia à última instância, a ponto de terminar o Mundial deste ano com somente um gol sofrido em oito partidas. A Argentina, por exemplo, sequer acertou o gol de Unai Simón na final.
Essa lição até foi entendida por Ancelotti, que, em entrevistas antes da Copa, ressaltou que daria atenção à defesa da Seleção, pois o ataque teria liberdade para se movimentar e definir as melhores jogadas. O discurso, porém, não foi levado à prática.
Na Copa do Mundo, o Brasil permitiu que os adversários chutassem em média dez vezes ao gol de Alisson, números semelhantes aos da Argélia. Bem acima dos espanhóis, que só "aceitaram" seis chutes em média no torneio. O resultado foi a eliminação logo nas oitavas, após sofrer com Japão na fase 16 avos e ser controlado pela Noruega na despedida.
Tudo bem, aqui a missão é mais difícil. Mas evoluir o trabalho da Seleção Brasileira parte, primeiro, de melhorar as condições do futebol do país, com investimentos e maneiras de atrair patrocínios, atenção e torcida.
Na Espanha, LALIGA é um case de sucesso. Na temporada passada, foram 5,4 bilhões de euros em receitas, o equivalente a R$ 31 bilhões na cotação atual. Isso sem contar o público acumulado de 17,5 milhões de torcedores ao longo de toda a temporada.
A inspiração pode vir daqui. O presidente da liga espanhola, Javier Tebas, já esteve no Brasil para uma espécie de consultoria aos clubes, que, no entanto, se perdem dentro dos próprios egos e problemas em vez de unir forças em prol de um trabalho coletivo.
Buscar alternativas em bloco é o melhor a se fazer. No Brasil, enquanto Flamengo e Palmeiras comandam as receitas, outros clubes sofrem para serem competitivos como eram no passado. A Espanha conta com Barcelona e Real Madrid, talvez as maiores camisas da história, mas que são parte de um todo da liga.