O Corinthians se reapresenta na próxima quinta-feira (25) no CT Dr. Joaquim Grava para dar início à intertemporada antes da retomada do calendário no futebol brasileiro. A equipe volta a campo em jogos oficiais em 23 de julho, contra o Remo, pelo Campeonato Brasileiro.
Há a possibilidade, entretanto, de que o retorno do elenco aos trabalhos aconteça com salários atrasados, condição que se repete pelo segundo mês consecutivo no Timão.
“Existe o atraso. O curioso no Corinthians é que tudo é muito rápido. Se atrasou dois dias já se sabe [na imprensa], já e noticia. Não vejo isso acontecer em outros clubes. Mas tudo bem, estamos aqui para viver o Corinthians e fazer nosso melhor”, disse Marcelo Paz, executivo de futebol, em entrevista nesta terça-feira ao canal de Youtube Identidade Corinthiana.
“O atraso é ruim, mas pior que o atraso é a gente prometer data e não cumprir. Então a gente só vai prometer com a certeza de que o pagamento será feito naquela data. Não posso dizer uma perspectiva e data, não disse nem para o próprio elenco. A gente só quer passar com exatidão e certeza. Nos incomoda, a gente quer que os salários estejam em dia”.
De acordo com o dirigente, o sufocamento financeiro atravessado pelo Corinthians passa pela decisão de não negociar atletas no início da temporada.
“Os salários não estarem em dia é uma consequência direta da não venda de jogadores no começo do ano. Se o Corinthians tivesse vendido jogadores, não teria esse atraso de salário. Mas não vendeu por diversos motivos. Estava previsto no orçamento. São escolhas. Aqui não é uma crítica, são escolhas. Às vezes se escolhe o esportivo, às vezes se escolhe o financeiro, é um equilibrar de pratos constante. Mas eu tenho que explicar que se tivesse vendido jogador num valor relevante no começo do ano, não teria atraso de salário agora. Não houve a venda, vem o atraso de salário e que a gente vai equacionar. Tenho certeza que vai equacionar o quanto antes. Não vou dar um prazo. A pior coisa é dar um prazo e falhar. Ai os jogadores não acreditam mais em você. O contato é diário, não nos eximimos. Falamos com lideranças e conversamos todas as vezes que somos questionados. Acredito que muito em breve será resolvido”.
Como a ESPN informou na última semana, o Corinthians ampliou os números negativos.
Em balancete publicado sobre os quatro primeiros meses de 2026, o clube registrou déficit de R$ 168.048 milhões até abril, cerca de 130% a mais do que os R$ 72.990 milhões orçados para o período.
Segundo relatório publicado pelo clube, o resultado da operação até março foi impactado por R$ 75 milhões líquidos que deixaram de ser embolsados em vendas de direitos federativos de atletas durante a primeira janela de transferências da temporada.
Veja outros temas abordados por Marcelo Paz:
“Memphis está jogando uma Copa do Mundo, é um momento especial na carreira. São poucos os jogadores que jogam uma Copa do Mundo. Não sei se vai ser última dele. A gente está, de comum acordo, entendendo que ele vai manter o foco na Copa e no momento oportuno a gente aprofunda a questão da premência dele. Ele sabe que tem que fazer um novo contrato, diferente do atual".
"Vai acabar o contrato dele. E para a permanência, é outro tipo de contrato. Ele sabe disso, entendeu e se colocou a fazer um esforço para isso. Mas como está na Copa do Mundo, mas minucias de um contrato desse porte a gente vai tratar com calma quando ele estiver com a cabeça focada para o Corinthians. A gente sabe que ele gosta do clube, que tem a intenção de ficar. O Diniz gosta muito dele e conta com ele. No momento oportuno nós vamos conversar novamente”.
“Não tem proposta nenhuma na minha mesa e nem na do presidente. É natural, o mercado ainda está frio. A janela no Brasil só vai abrir em 12 de julho e fechar em 12 de setembro. As atenções do mundo do futebol estão voltadas para a Copa do Mundo. Hoje não tem nenhuma proposta em debate por jogadores do Corinthians”.
“A gente tem desejos no departamento de futebol. Mas tem aí uma questão financeira que a gente tem que equacionar. Como que a gente vai contratar devendo salário? A gente que regularizar os salários os jogadores. Eventualmente fazer vendas, uma ou duas, para gerar o fluxo de caixa e fazer contratação. Tem que ser coerente. Como a gente vai para o mercado jogando proposta se a gente tem um atraso pontual com o elenco? Tem que ter coerência".