A ausência de jogadores de Flamengo e Palmeiras na convocação da Seleção Brasileira para os amistosos contra Japão e Singapura, na Data Fifa de novembro, gerou certo desconforto nos bastidores.
Segundo apurou a ESPN, a decisão de não chamar jogadores dos dois clubes, em meio à reta final da temporada, foi alinhada entre direção da CBF e comando dos clubes, deixando a conversa com a comissão técnica para um segundo momento. Tal movimento causou uma frustração interna.
Com a antecipação de partidas do calendário nacional por conta dos compromissos da Data Fifa, a entidade optou por evitar um conflito com os dois times, candidatos ao título brasileiro na temporada. Isso porque, a avaliação da direção da CBF foi de que este não seria o momento adequado para comprar uma briga com Flamengo e Palmeiras.
Explica-se: há um contexto político por trás da decisão. A CBF tenta avançar nas discussões para a criação de uma liga no futebol brasileiro e não deseja criar atritos com dirigentes influentes como Luiz Eduardo Baptista, o BAP, presidente do Flamengo, e Leila Pereira, mandatária do Palmeiras. Diante deste cenário, foi estabelecido um acordo de cavalheiros para que os dois clubes não tivessem jogadores convocados.
O problema, porém, é que essa decisão não foi discutida previamente com o técnico Ancelotti, seus auxiliares e Rodrigo Caetano, coordenador executivo geral das seleções masculinas, o que causou desconforto, já que contrariou o discurso adotado pela próprio CBF de que o treinador italiano teria total liberdade para trabalhar.
A promessa era de que o trabalho da comissão técnica seria conduzido de forma autônoma, separado das questões políticas da entidade. Ancelotti, por sua vez, gostaria de ter convocado jogadores do Flamengo e Palmeiras, mas, por todas as questões citadas, foi impedido.