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Mais 9kg de músculos e seis meses com tradutor: como Atlético-MG prepara joia descoberta na África
Mamady Cissé fez um caminho pouco comum para jogadores africanos: em 2025, chegou ao Atlético-MG, no Brasil, a mais de 5 mil quilômetros de distância de Guiné, seu país natal, com o desafio de vingar no futebol profissional.
17/10/2026 10h01
Por: Redação Fonte: Vladimir Bianchini
Mamady Cissé durante jogo do Atlético-MG Getty Images

Mamady Cissé fez um caminho pouco comum para jogadores africanos: em 2025, chegou ao Atlético-MG, no Brasil, a mais de 5 mil quilômetros de distância de Guiné, seu país natal, com o desafio de vingar no futebol profissional. Em pouco mais de um ano, o trabalho intensivo tem dado resultado, e o meia tem sido utilizado com frequência pelo técnico Eduardo “Barba” Domínguez, que deve escalar o jogador contra o Coritiba, neste sábado (17).

Descoberto no final de 2024 em um torneio na Nigéria por scouts do clube mineiro, o jogador nascido em Guiné chegou ao Brasil somente quando completou 18 anos. Foi incorporado ao time sub-20 e precisou aprender uma nova cultura, hábitos e até mudar a alimentação.

Sem falar português, Cissé contou com a ajuda do professor de francês e tradutor Benjamin Lelaidier, que o acompanhou por seis meses em praticamente todos os treinos.

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O guineense precisava de auxílio para resolver até situações básicas do cotidiano, como pedir comida ou abrir conta em banco, e ia recebendo aulas de português nos intervalos.

O clube disponibilizou uma rede de apoio para o novato, que estava sem a família. Alguns colegas de equipe o ajudaram a se enturmar, com passeios pela cidade ou até para comer em casa.

“Uma coisa que sempre chamou atenção dele é que, mesmo quando ele não falava a língua, era muito querido pelos meninos do CT e pelos funcionários, sempre foi muito simpático”, contou Leandro Zago, ex-técnico do sub-20 do Galo, ao ESPN.com.br.

O antigo treinador conta que não demorou para ver as grandes qualidades do meia. “Era um diamante bruto. Tinha muita coisa a melhorar, mas aquilo que você não achava no jogador naturalmente, ele tinha”.

“O Cissé é muito rápido, muito potente, muito competitivo e é muito inteligente. Nos primeiros dias de clube, ele já entendia alguns exercícios melhor que nossos jogadores que falavam português e já estavam ali há mais tempo.”

Ao longo do ano, ele passou por um processo grande de mudança física para aumento de força. Com uma dieta rigorosa dentro do clube e trabalhos específicos, o meia ganhou cerca de 9 kg de músculos e recebeu um planejamento especial para evitar lesões.

“Ele precisou começar com cargas muito baixas para aprender os movimentos de musculação, porque não tinha a técnica de levantamento de peso ou de agachamento. Os meninos começam aos 14 anos e vão aumentando conforme amadurecem, mas o Cissé precisou passar por tudo isso aos 18 anos.”

Zago lembra que o jogador precisou desenvolver a parte tática do futebol brasileiro e encontrar a melhor função em campo. “No início, demorou um pouco para a gente descobrir a posição dele. Geralmente, quando você vê jogadores vindo do continente africano, você pensa em pontas e atacantes, e o Cissé era um ‘8’, um meio campista”.

Após morar um ano na Cidade do Galo, Cissé mudou-se para uma residência em Belo Horizonte com a ajuda do clube.

Em pouco mais de seis meses, Cissé se destacou na base antes de subir ao time principal. O meio campista já fez 32 partidas (11 delas como titular) em 2026 e anotou um gol - na vitória por 3 a 1 contra o Mirassol pelo Brasileirão.

“Tenho certeza que esse menino vai ser titular do Galo em algum momento, é uma questão de amadurecimento. Ele tem o perfil e as características. O Cissé é um case de muito sucesso, são alguns bons milhões de euros que o clube vai colocar no caixa, de um jogador talentoso”, finalizou Zago.

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