Após ter o pedido negado pela Justiça Desportiva, a jogadora de vôlei Tifanny Abreu vai recorrer à Justiça comum para tentar reverter a decisão que a impede de disputar as competições nacionais da temporada 2026/27. A atleta trava uma disputa com a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) após a adoção das novas regras de elegibilidade da entidade.
O caso foi publicado inicialmente pelo blog de Bruno Voloch, no portal O Tempo, e depois confirmado pela ESPN. A reportagem teve acesso ao documento na íntegra e apurou que com a negativa, a defesa da atleta já prepara uma nova ação na Justiça Comum.
Nesta sexta-feira (16), os advogados da jogadora do Osasco entraram com um Mandado de Garantia com Pedido de Liminar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do Voleibol para contestar a decisão da CBV de não reconhecer sua elegibilidade para jogar a Supercopa do Brasil e a Superliga Feminina de Vôlei, porém essa liminar já foi negada.
A Supercopa será disputada nesta sexta-feira (16) em jogo único entre Osasco, campeão paulista, e o Praia Clube, campeão mineiro, em São Luís no Maranhão. A ESPN apurou que a atleta inclusive está com o grupo que já está na capital maranhense. A primeira partida da equipe de Tifanny na Superliga Feminina é na segunda-feira (19).
Tifanny e o Osasco atuam juntos na disputa e buscam uma decisão que autorize a participação da atleta nas competições nacionais. Desde agosto, a CBV passou a exigir a comprovação do sexo biológico feminino por meio de exame que identifica a presença do gene SRY.
A mudança no critério de elegibilidade foi adotada pela CBV em alinhamento à nova Política de Proteção da Categoria Feminina anunciada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) neste ano, que também utiliza o exame como parâmetro para definição da elegibilidade na categoria feminina. Essa mudança no COI proíbe a participação de atletas transgêneros e intersexo nos Jogos Olímpicos.
A petição protocolada na Justiça Desportiva sustenta que a CBV demorou a informar oficialmente a situação de elegibilidade da atleta, o que teria dificultado a adoção de medidas por parte da defesa em relação à nova exigência.
Em outras palavras, a defesa argumenta que Tifanny participa da principal competição nacional há cerca de nove temporadas e passou a ser considerada inelegível poucos meses antes do início da Superliga 2026/27. A temporada do vôlei, porém, já havia começado com o Campeonato Paulista, competição que teve início antes da entrada em vigor da nova política da CBV. Nesta semana, inclusive, o Osasco conquistou o título estadual ao vencer o Bauru na decisão.
A ESPN apurou que a atleta já caminhava para os últimos anos de sua carreira e tem contrato com o Osasco até o fim do primeiro semestre de 2027 e que não houve diálogo direto entre CBV e Tifanny sobre sua situação.
O Osasco chegou a procurar a confederação na tentativa de encontrar uma solução para o caso, mas a CBV foi taxativa ao afirmar que estava seguindo diretrizes adotadas pelo COI e pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB).
Agora, a defesa da jogadora já se prepara para levar a disputa na Justiça comum. O principal argumento dos advogados de Tifanny é que a medida impede a atleta de exercer sua profissão.
A CBV não foi notificada, uma vez que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) negou a liminar. Em entrevista à ESPN no lançamento da Superliga Feminina há duas semanas no COB Expo, o presidente da entidade, Radamés Lattari disse que a decisão segue a política do COI e da FIVB.