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Justiça autoriza arrombamento e reforço policial contra Marcelinho Carioca em processo por morte de menino em 1998
A Justiça de São Paulo autorizou arrombamento e reforço policial, caso necessários, para cumprir uma decisão de penhora de veículos de posse de Marcelinho Carioca, ídolo do Corinthians.
16/10/2026 15h31
Por: Redação Fonte: Diego Garcia
Justiça autorizada arrombamento por penhora de veículos de Marcelinho Carioca Mauro Horita/AGIF

A Justiça de São Paulo autorizou arrombamento e reforço policial, caso necessários, para cumprir uma decisão de penhora de veículos de posse de Marcelinho Carioca, ídolo do Corinthians. A ordem é referente a um processo de 1998, ligado à morte de um menino no sítio do ex-jogador.

A decisão, do juiz Alfredo Gehring Cardoso Falchi Fonseca, foi publicada no fim de julho. Mesmo assim, o Poder Judiciário segue sem conseguir cumprir a determinação. Os oficiais de Justiça tentaram encontrar Marcelinho Carioca em duas oportunidades, nos dias 31 de agosto e 25 de setembro, mas em nenhuma delas localizaram o ex-meia. A busca continua.

Na última tentativa, o oficial responsável foi informado por interlocutores que Marcelinho estava em viagem, sem data marcada de retorno. O ex-jogador tem uma dívida de R$ 705 mil com o casal de idosos Servio Machado, coletor de lixo aposentado de 75 anos, e Pedra Batista, trabalhadora doméstica de 69 anos de idade.

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Eles vêm tentando há 28 anos receber uma indenização pela perda de seu filho, Cristiano Donizeti, morto aos 17 anos após ser pisoteado por um cavalo de Marcelinho.

O menino havia sido contratado para trabalhar no sítio do então astro do Corinthians, em 1998. De acordo com a sentença em primeira instância, Marcelinho contratou um menor de idade, inexperiente com animais e sem nível sociocultural para realizar as tarefas às quais foi submetido. Além disso, sua fazenda não tinha estrutura para criar cavalos. O garoto recebia R$ 180 por mês de salário.

Após a tragédia, seus pais foram à Justiça buscar reparação. Marcelinho foi condenado em todas as instâncias e não cabe mais recurso.

Para a Justiça, Marcelinho teve culpa no acidente, pois causou sofrimento e dor à família de Cristiano, por ser dono do local, apesar de não estar presente no momento do acidente, nem ter ocasionado diretamente a morte do menino. Ele foi condenado, na época, a pagar R$ 100 mil de indenização. As capacidades financeiras do então jogador e dos pais do garoto também foram levadas em consideração.

A sentença diz: "O fato de amarrar a outra ponta na cintura demonstra inexperiência, acrescido ao nível sociocultural da vítima, fator a ser considerado, pois é notório que a falta de educação, a pobreza faz com que a pessoa não tenha um discernimento muito claro no tocante ao risco da atividade, devendo o empregador ser cauteloso ao designar certas tarefas, primando pelo treinamento e esclarecimento, o que não aconteceu".

Desde então, Marcelinho não foi encontrado pela Justiça. A defesa de Servio e Pedra tenta há anos encontrar bens em nome do ex-jogador para penhora, garantindo o pagamento da dívida. Segundo eles, jamais foram procurados pelo ex-atleta com o oferecimento de qualquer tipo de ajuda.

No fim do ano passado, a ESPN revelou que uma pesquisa feita pelo Sniper - novo sistema do Conselho Nacional de Justiça para investigação patrimonial e recuperação de ativos - não encontrou nenhum bem em nome de Marcelinho Carioca, ídolo do Corinthians.

 

Não foram encontrados bens, como imóveis ou veículos, em nome de Marcelinho. O resultado da pesquisa também encontrou algumas contas bancárias vazias. Além disso, o sistema buscou suas ligações com empresas e pessoas físicas por meio de procurações ou documentos, além de procurar eventuais fraudes ou celebração de negócios de compra e venda de imóveis sem registro. Nada foi encontrado. Em outras palavras, a investigação do Sniper mostrou que o ídolo corintiano não possui patrimônio em seu nome.

Em 2024, eles descobriram que imóveis de Marcelinho na Mooca, zona leste de São Paulo, avaliados em R$ 1,3 milhão, foram a leilão para pagar dívidas de condomínio e conseguiram penhorar as matrículas desses bens. Uma decisão da Justiça determinou que devem receber uma parte do valor de venda, limitado a 150 salários mínimos. Porém, também acabaram não conseguindo a indenização por esse caminho.

A ESPN procurou Marcelinho por meio de sua assessoria, mas não teve retorno. A reportagem será atualizada caso o ídolo do Corinthians queira se manifestar.