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Jogador acusado de manipulação diz que tem síndrome do pânico, vai à Justiça e cobra R$ 600 mil da CBF
O atleta Thiago Souza tenta, desde o ano passado, receber uma indenização da CBF de pouco mais de R$ 600 mil por ter sido acusado de suposta manipulação de resultado em um jogo do Campeonato Amazonense de 2023.
15/10/2026 20h28
Por: Redação Fonte: Diego Garcia
Sede da CBF, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro Lucas Figueiredo/CBF

O atleta Thiago Souza tenta, desde o ano passado, receber uma indenização da CBF de pouco mais de R$ 600 mil por ter sido acusado de suposta manipulação de resultado em um jogo do Campeonato Amazonense de 2023.

O jogador acionou a Justiça de São Paulo com alegações de que "ficou com depressão profunda, recluso dentro de sua residência, adquiriu síndrome do pânico, taxado de desonesto por todos".

A ESPN teve acesso ao processo, no qual Thiago relata que, na ocasião, seu time, o Iranduba, foi goleado por 7 a 0 pelo Amazonas, o que gerou desconfiança de fraude por parte da organização do torneio e da confederação. A CBF, então, contratou a empresa SportRadar para realizar uma auditoria na partida.

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A investigação da empresa entendeu que existiam fortes indícios de manipulação no resultado do jogo para beneficiar um determinado apostador. A confederação, então, notificou a Federação Amazonense para aplicar as penalidades aos supostos envolvidos.

Após a notificação, o presidente Ednailson Rozenha deu entrevistas acusando os integrantes do Iranduba de estarem envolvidos com casas de apostas. Falou até em quadrilha criminosa instalada no estado para manipular jogos de futebol.

Thiago diz que sempre negou ter participação em qualquer ato ilícito. Também apontou que desconhece qualquer aliciamento de atletas de sua equipe em manipulação de resultados. Mesmo assim, foi condenado a pagar R$ 100 mil e ainda recebeu suspensão de 200 dias.

O atleta disse à Justiça de São Paulo que recorreu a instâncias superiores, tendo sido absolvido de todas as acusações, já que não foram atestadas provas em seu desfavor.

Apesar disso, Thiago afirmou ao tribunal que deixou de receber salários do Iranduba, foi dispensado por não poder mais atuar e ainda perdeu contratos para trabalhar. Por isso, cobra danos morais, materiais e indenização de CBF, em valores que chegam a R$ 605.400,00.

À Justiça, a CBF se defendeu. Mostrou argumentos da SportRadar, em que existia preocupação de que o Iranduba, de fato, perderia a partida "por ao menos três gols e que ao menos cinco gols seriam marcados no total". Também mencionou que o mesmo clube já tinha sido responsabilizado dois anos antes pela manipulação do resultado de outra partida.

"Não houve ilegalidade alguma cometida pela CBF, seja à luz da normativa privada do esporte, seja à luz da legislação vigente, que cumpriu estrita e exaustivamente suas obrigações legais para preservar um dos princípios basilares do desporto, que é a integridade, por meio do qual se deve zelar e proteger a incerteza dos resultados e de todos os eventos correlatos ocorridos durante a partida", disse a CBF.

A Federação Amazonense, a SportRadar e Ednailson Leite também são réus no processo.

 

A federação e seu presidente peticionaram defesa na qual disseram que o responsável por punir o jogador foi o Tribunal de Justiça Desportiva local. Ainda apontou a existência de um processo criminal que ainda está em curso no qual, segundo as partes, seria "evidente que houve esquema de manipulação por parte de jogadores do Iranduba". Também chamou o pedido de danos morais de "desleixado".

A SportRadar, por sua vez, disse que "foi indicada apenas a existência de indícios de irregularidades que poderiam ser de interesse da CBF para análise mais aprofundada e o suporte técnico para a conclusão obtida pela SportRadar, não sendo apontada a efetiva ocorrência de qualquer infração nem o nome das pessoas potencialmente envolvidas".

CBF, SportRadar, Federação Amazonense e seu presidente também alegaram que a Justiça de São Paulo não tem competência para julgar o caso, já que nenhum deles fica localizado neste Estado. A Justiça acatou a alegação e transferiu o processo para o Rio de Janeiro, na decisão mais recente publicada.